Os parasitas dos animais – prevenir em vez de tratar

Os parasitas dos animais – prevenir em vez de tratar

Os parasitas são organismos que sobrevivem em associação com outros, dos quais retiram recursos para a sua sobrevivência, normalmente, prejudicando o organismo hospedeiro. Podem ser classificados como endoparasitas ou parasitas internos (lombrigas, ténias) e em ectoparasitas ou parasitas externos (carraças, pulgas, piolhos, ácaros).

As zoonoses são doenças que afetam os animais e que podem ser transmissíveis ao Homem e os parasitas são ótimos exemplos destas doenças. Portanto, desparasitar os animais de estimação torna-se uma necessidade fundamental de saúde pública e uma boa prática médico-veterinária, não só por questões de saúde e bem estar animal, como do próprio agregado familiar em que estão inseridos e de todo o seu meio envolvente.

A melhor forma de evitar que o seu animal tenha parasitas é prevenindo.

Utilize desparasitante adequado e intervalos de administração corretos. O desparasitante que deve utilizar e a frequência da desparasitação depende da espécie animal, do grau de parasitismo, da idade e da condição do animal, por isso aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor forma de prevenir as infestações por parasitas.

Dermatite Alérgica à Picada da Pulga (DAAP)

Dermatite Alérgica à Picada da Pulga (DAAP)

O que é?

A dermatite alérgica à picada da pulga é um dos problemas cutâneos mais comuns no cão e no gato. Define-se como uma hipersensibilidade (reação alérgica) aos componentes da saliva da pulga.
Apesar de existirem animais que toleram um número considerável de picadas de pulga por dia, cães e gatos que tenham predisposição para DAAP não toleram uma única picada sem que iniciem os sinais clínicos típicos do problema.

A DAAP tem maior incidência na altura da Primavera/Verão, contudo, pode ocorrer em qualquer altura do ano.
Como se sabe, a pulga é o ectoparasita (parasita externo) mais frequente no cão e no gato. No cão a pulga mais comum designa-se por Ctenocephalides canis e no gato Ctenocephalides felis. Estes ectoparasitas alimentam-se do sangue do seu hospedeiro, picando-o para o efeito.

Sinais Clínicos

– Prurido intenso (o cão tende a morder, coçar, esfregar-se no chão; o gato tende a lamber-se excessivamente ou arrancar os próprios pêlos);
– Perda de pêlo;
– Pele ruborizada (vermelha);
– Apresentação de crostas na região lombar e base da cauda;
– Piodermatite secundária.

Em situações crónicas podem surgir outros sinais clínicos:
– Inflamação crónica da pele;
– Falha de pelagem;
– Descamação da pele;
– Mudança de tonalidade da pele para tons mais escuros, sem que surja mais crescimento de pêlo na zona.

Como se diagnostica?

Através da observação das lesões e/ou observação de pulgas ou fezes de pulga. Contudo, o seu animal pode sofrer de outros processos alérgicos paralelos e o médico veterinário poderá necessitar de realizar outros exames complementares de diagnóstico para descartar doenças concomitantes.

Como se trata?

O objetivo principal do tratamento consiste em eliminar os sinais clínicos da DAAP no cão/gato, sendo o tratamento sintomático do seu animal prescrito pelo médico veterinário.
Outro objetivo, também muito importante, é reduzir ao máximo o número de picadas de pulga. Neste caso, o dono tem um papel muito importante na eliminação das pulgas quer no próprio animal, quer no meio envolvente.
Existem atualmente, produtos disponíveis no mercado bastante efetivos no controlo de pulgas.

Sabia que as pulgas presentes na pelagem do seu animal representam apenas cerca de 5% da infestação presente no meio ambiente que o rodeia?

Os restantes 95% consistem em ovos, larvas e pupas não visíveis a olho nu. Por esse motivo as infestações de pulgas podem-se tornar bastante difíceis de controlar. Quando tentar eliminar uma infestação de pulgas deverá focar-se não só no animal infestado, como no meio ambiente!

Assim sendo, deverá adotar medidas como:
– Aspirar todos os tapetes, carpetes, sofás, cortinas (tendo particular atenção aos locais mais frequentados pelo animal);
– Lavar mantas, camas, almofadas com água bem quente com detergente ou lixivia;
– Deverá ter atenção aos locais onde haja frechas ou ranhuras, rodapés, atrás do frigorífico, máquinas de lavar, ou outros locais que sejam de difícil acesso ao aspirador.

Como prevenir a DAAP?

Deverá fazer prevenção contra ectoparasitas no seu animal. Esta prevenção pode ser feita através de pipetas spot-on, comprimidos orais ou coleiras, que podem ter uma aplicação mensal, trimestral ou no caso específico das coleiras cada 6 a 8 meses.
Informe-se sobre que prevenção adotar com o seu médico veterinário.

Desparasitação Interna e Externa

Desparasitação Interna e Externa

Pulgas e carraças

As pulgas são parasitas externos, de pequenas dimensões, que se alimentam do sangue de mamíferos e aves. Eles dependem do hospedeiro para se alimentar e proteger.
Além do incómodo das picadas, alguns cães são alérgicos à saliva da pulga, manifestando dermatites pruriginosas, difíceis de controlar. Existem ainda alguns agentes patogénicos transmitidos pela pulga.
A infestação com pulgas ocorre muito facilmente, durante um passeio curto à rua ou ao jardim, por exemplo, independentemente das condições higiénicas do seu ambiente. A pulga salta para o hospedeiro e em poucos minutos inicia a sua alimentação. À medida que se alimenta esta vai também reproduzir-se, depositando ovos na superfície da pele do cão e na casa. Estes ovos, em ambiente doméstico poderão originar novas pulgas, perpetuando assim a infestação. Uma pulga pode depositar até 50 ovos por dia! Assim sendo, o tratamento do cão e o controlo ambiental devem fazer-se de forma integrada.

Infestação por pulgas

• Tratar o cão a fim de eliminar rapidamente as pulgas adultas do animal – aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre o produto a utilizar.
• Aspirar todos os compartimentos da casa, incluindo carpetes, tapetes, sofás e almofadas.
• Lavar com água quente todos os têxteis (camas, mantas, etc…).
• Em casos de infestações graves existem produtos de aplicação ambiental que têm como objetivo eliminar ovos e pulgas adultas.
• Posteriormente fazer um rigoroso plano de prevenção.

Infestação por carraças

As carraças são parasitas de que têm como hospedeiro preferencial o cão. Estas picam e fixam-se através do seu aparelho bucal à sua pele e alimenta-se de sangue. Para além das alterações cutâneas no ponto de penetração da carraça, estas são também responsáveis pela transmissão de doenças graves, tanto aos animais como ao Homem. A designação “febre da carraça” é utilizado para descrever um conjunto de doenças transmitidas pela picada da carraça, tais como a Babesiose ou a Erliquiose, que têm como principais manifestações clínicas a apatia, anorexia e febre, podendo associar-se a uma coloração alaranjada da urina.
Encontrar uma carraça presa à pele do seu cão não significa necessariamente que esta lhe tenha transmitido uma doença. No entanto, é importante removê-la e fazê-lo corretamente, para que seja retirado o ponto de fixação. Pode utilizar uma pinça ou uma própria para o efeito. O importante é que agarre a carraça o mais próximo possível da pele do animal.
Deve rodar a pinça até que se solte da pele. Após extração da carraça limpe e desinfete a pele. Inspecione diariamente a zona até cicatrização completa. Caso a ferida se complique ou o cão demonstre sinais de doença, como febre, diminuição do apetite ou prostração consulte o seu médico veterinário.

É importante proteger o seu cão contra pulgas e carraças e garantir um tratamento eficaz no caso de infestações, para evitar doenças e a contaminação da casa. Existem diversos produtos para controlar estes parasitas sob a forma de pipetas “spot-on”, coleiras, comprimidos ou sprays. A escolha do produto ideal para o seu cão dependerá do seu estilo de vida, grau de exposição a parasitas e hábitos de higiene.

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As infestações com parasitas externos podem ocorrer em qualquer época do ano, apesar de apresentarem picos de incidência na Primavera e Outono. Assim sendo recomenda-se a utilização de ectoparasiticidas ao longo de todo o ano.
Se existirem outros animais em casa ou que contactem regularmente com o seu cão, deve garantir que todos fazem uma prevenção adequada, já que animais não tratados podem funcionar como fonte de novas infestações e contaminar o ambiente.

Parasitas internos

Existem muitos parasitas que afetam o aparelho digestivo do cão, os mais comuns são os nemátodes (vulgarmente designados por lombrigas) e os céstodes, também conhecidos por ténias. Os parasitas vivem, alimentam-se e reproduzem-se no seu hospedeiro. Os animais e as pessoas contaminam-se pela ingestão de formas infestantes (contacto com terra ou fezes de animais) ou durante a gestação ou amamentação. A desparasitação “interna” é uma rotina importante no plano de medicina preventiva, já que estes constituem um risco para a saúde dos animais, mas também para a das pessoas que com eles contactam.
O plano de proteção antiparasitária deve incluir a administração de desparasitantes internos e externos. Este pode variar e deve ser adaptado pelo seu veterinário ao seu cão, em função do risco.

tabela desparasitacao

Dra. Sónia Miranda

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